Síria, meu bem, Síria

Estava eu num domingão ‘fandásdico’ rondando da cozinha pro quarto, do quarto pra cozinha, coisa que eu faço sistematicamente no afã de verificar a presença de bandidos ao redor da geladeira. De tanto ver filme de gangster, saquei que o segredo do crime é o controle dos dados. Mas o grande problema de executar essa tarefa é o trajeto. É que no meio da caminho há uma televisão, há uma televisão no meio do caminho. Dessa caixa geralmente saem metáforas do Pedro Bial, bundas, ‘boas noites’  e guerra no Oriente Médio. Mas dessa vez a “guerra no O.M.” era um ataque atribuído à al-Qaeda na Síria e a repetição de um discurso oficial americano-ONU: “achamos que Bashar al-Assad deve ser afastado do seu cargo”.

Eu sei, à essa altura da vida eu já devia ter me acostumado com esse tipo de coisa. A tônica desses conflitos longínquos é sempre a mesma: eclode uma rebelião ou algo do tipo, alimentam-se suspeitas de que os cientistas locais estão tramando ataques atômicos, EUA e ONU invadem o território e então, pimba, elegem um novo governo  e tomam conta das riquezas do país. Foi assim no Iraque, no Afeganistão, promete ser assim no Irã. Só que a bola da vez é a Síria, por uma mera questão de logística que eu não tenho como adivinhar. Vai ver que é um atalho.

Só que alguma coisa me intrigou nesse novo ataque. Num instante de consciência lembrei ter torcido pro Obama nas eleições de 2008 por uma razão que, pra mim, era a coisa mais honesta do mundo: ele prometia acabar com essa indústria de guerra tão cara-de-pau. Lembro de terem pintado acusações veementes contra Bush no sentido de que, claro, ele sabia que não havia bulhufas de bomba nuclear em canto nenhum do Iraque, aquilo tudo era um pretexto, usaram a grande mídia, etc, etc.

Ok, então os caras tão subestimando a memória do planeta inteiro e ninguém tá fazendo porra nenhuma? Eles passaram o rodo geral com aquela maquininha do MIB enquanto eu tava no banheiro? É mais que evidente que o Obama tem dado continuidade ao projeto de expansão do Bush. Essa cara de coroa de Hollywood não tá mais enganando.

Aliás, seria até bom que a gente parasse de falar em “imperialismo norte-americano” porque, de fato, estudando o mínimo quando se tem interesse no  assunto, percebe-se que a soberania americana foi pro beleléu há mais de um século – quando os Rockfeller, J.P. Morgan, Rotschild e demais dinastias criaram a Federal Reserve, comecinho do século XX.

O processo de homologação da Federal Reserve, que incluia esses patifes na direção, obviamente, é de uma natureza maligna tão sofisticada que eu acho que o próprio diabo ficou com dor no cotovelo. Sinceramente, “como criar crises de fome manipulando o medo” deve ser tese de livre docência no último círculo do inferno.  Não sei como Borges não incluiu um ascendente desses caras naquele compêndio histórico de cretinos. Não precisa ser nenhum espião com poderes psíquicos pra intuir que esses senhores se educaram com base em técnicas milenares, hereditárias e cientificamente evoluídas de tapeação.

Mas tem horas que eu me pergunto, ‘porque eu não limpo a minha cozinha antes de sair de casa?, porque eu não olho primeiro pra cara do Jader Barbalho pra depois espicaçar a vida do Obama?”. Bom, primeiro eu tenho zero de informação relevante inédita daqui*; depois que falar de Obama, Bush, Rockfeller não significa exatamente sair de casa – esses caras tão com um propósito de controle mundial que abrange, inclusive, a igreja que a minha mãe frequenta.

E então, o que tá em jogo? Uma conjugação de interesses corporativistas prevista desde o começo das revoluções americanas. Essa tentativa de dominação dos dinastas é de conhecimento amplo, geral e irrestrito! A Inglaterra ocasionou a revolta nos EUA por ter proibido a circulação de moeda local naquele tempo. Mais abaixo, transcrevi uma frase de Thomas Jefferson que comprova a “clarividência” que ele possuia desse embuste:

Acredito que as instituições bancárias são mais perigosas para nossa liberdade do que exércitos armados… se um dia o povo americano permitir que bancos privados controlem a emissão de moeda, os bancos e corporações que crescerão em torno deles os privarão de suas propriedades até que suas crianças acordem sem lar no continente que seus pais conquistaram um dia“. (Thomas Jefferson, em 1802)

Quer dizer, a coisa vem sendo pensada desde aquelas guerras do século XVIII que dão pra gente lamber no colégio. É muito tempo, é muita paciência, porra!

Desde isso aí a turma de fundadores da nação americana tinha plena convicção de que o controle sobre o fundo monetário absurdamente rentável dos EUA era nitroglicerina pura. Um abacaxi que, se não fosse administrado por um estado democrático de verdade, tornariam os americanos – e quiçá o mundo todo – meros joguetes nas mãos de quem o controlasse.

Mas quais são os efeitos práticos disso na realidade e como é que eu cheguei na Síria? Amanhã eu concluo. Isso dá muito, muito pano pra manga, tô de saco cheio de editar esse blog e tenho outras coisas pra escrever. Abraços.

*A pouca informarção inédita local que tenho é tão atrasada, tão inexpressiva (e morbidamente sexual), que eu só usei em passagens do apocalipse que escrevi ano passado, o Sheila Use & Abuse. Ocultei as fontes, troquei uns nomes e adicionei uma pitada de exagero pra fazer uma ficção minimamente empolgante. Espero que a Sheila seja publicada ainda em 2013.

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