O último dia (podcast dedicado a Bento XVI)

O último dia (podcast dedicado a Bento XVI)

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Em atenção a este último dia de papado, vai um podcast com opiniões quase sóbrias sobre a renúncia de Ratzinger. Não passa muito de punhetagem mental, afinal, tudo o que tem se falado não passa de chute. Fizemos uma geral no contexto, demos nossos pitacos e eu, é claro, tentei meter no meio Nova Ordem Mundial – que de conspiração só tem o apelido.

Lá pelas tantas ressuscitei um link sobre a atuação da ex-agente soviética Bella Dodd – na hora eu chamei ela de Bella Dorf: http://gloria.tv/?media=311433&connection=cabledsl .

Aproveito pra deixar a tradução do texto de despedida de um jovem espanhol que, honestamente, pegou na veia:

¡Siempre renuncias, Benedicto!

A verdadeira causa da renúncia do Papa.

Tenho 23 anos e ainda não entendo muitas coisas. E há muitas coisas que não se podem entender às 8 da manhã quando te dirigem a palavra para dizer com a maior simplicidade: “Daniel, o papa se demitiu”. E eu de supetão respondi: “Demitiu?” A resposta era mais do que óbvia, “Quer dizer que renunciou, Daniel, o Papa renunciou!”

O Papa renunciou. Assim irão acordar inúmeros jornais da manhã, assim começará o dia para a maioria. Assim, de um instante para o outro, uns quantos perderão a fé e outros muitos fortalecerão a sua. Mas este negócio de o Papa renunciar é uma dessas coisas que não se entendem.

Eu sou católico. Um entre tantos. Destes católicos que durante sua infância foi levado à Missa, depois cresceu e foi tomado pelo tédio. Foi então que, a uma certa altura, joguei fora todas as minhas crenças e levei a Igreja junto. Porém a Igreja não é para ser levada nem por mim, nem por ninguém (nem pelo Papa). Depois a uma certa altura de minha vida, voltei a ter gosto por meu lado espiritual (sabe como é, do mesmo jeito como se fica amarrado na menina que vai à Missa, e nos guias fantásticos que chamamos de padres), e, assim, de forma quase banal e simples, continuei por um caminho pelo qual hoje eu digo: sou católico. Um entre muitos, sim, porém, mesmo assim, católico. Porém, quer você seja um doutor em teologia ou um analfabeto em escrituras (destes como existem milhões por aí), o que todo mundo sabe é que o Papa é o Papa. Odiado, amado, objeto de zombaria e de orações, o Papa é o Papa, e o Papa morre como Papa.

Por isto, quando acordei com a notícia, como outros milhões de seres humanos, nos perguntamos: por quê? Por que renuncias, senhor Ratzinger? Ficou com medo? Foi consumido pela idade? Perdeu a fé? Ganhou a fé? E hoje, depois de 12 horas, acho que encontrei a resposta: o Senhor Ratzinger renunciou, porque é o que ele fez a sua vida inteira.

É simples assim.

O Papa renunciou a uma vida normal. Renunciou a ter uma esposa. Renunciou a ter filhos. Renunciou a ganhar um salário. Renunciou à mediocridade. Renunciou às horas de sono, em troca de horas de estudo. Renunciou a ser um padre a mais, porém também renunciou a ser um padre especial. Renunciou a encher sua cabeça de Mozart, para enchê-la de teologia. Renunciou a chorar nos braços de seus pais. Renunciou a estar aposentado aos 85 anos, desfrutando de seus netos na comodidade de sua casa e no calor de uma lareira. Renunciou a desfrutar de seu país. Renunciou à comodidade de dias livres. Renunciou à vaidade. Renunciou a se defender contra os que o atacavam. Pois bem, para mim a coisa é óbvia: o Papa é um sujeito apegado à renúncia.

E hoje ele volta a demonstrá-lo. Um Papa que renuncia a seu pontificado, quando sabe que a Igreja não está em suas mãos, mas na de algo ou alguém maior, parece-me um Papa sábio. Ninguém é maior que a Igreja. Nem o Papa, nem os seus sacerdotes, nem seus leigos, nem os casos de pederastia, nem os casos de misericórdia. Ninguém é maior do que ela. Porém, ser Papa a esta altura da história, é um ato de heroísmo (destes que se realizam diariamente em meu país e ninguém os nota). Eu me lembro sem dúvida da história do primeiro Papa. Um tal… Pedro. Como foi que morreu? Sim, numa cruz, crucificado como o seu mestre, só que de cabeça para baixo.

Nos dias de hoje, Ratzinger se despede da mesma maneira. Crucificado pelos meios de comunicação, crucificado pela opinião pública e crucificado por seus próprios irmãos católicos. Crucificado à sombra de alguém mais carismático. Crucificado na humildade, essa que custa tanto entender. É um mártir contemporâneo, destes a respeito dos quais inventam histórias, destes que são caluniados, destes que são acusados, e não respondem. E quando responde, a única coisa que fazem é pedir perdão. “Peço perdão por minhas faltas”. Nem mais, nem menos. Que coragem, que ser humano especial. Mesmo que eu fosse um mórmon, ateu, homossexual ou abortista, o fato de eu ver um sujeito de quem se diz tanta coisa, de quem tanta gente faz chacota e, mesmo assim, responde desta forma… este tipo de pessoas já não existe em nosso mundo.

Vivo em um mundo onde é divertido zombar do Papa, porém é pecado mortal fazer piada de um homossexual (para depois certamente ser tachado de bruto, intolerante, fascista, direitista e nazista). Vivo num mundo onde a hipocrisia alimenta as almas de todos nós. Onde podemos julgar um sujeito que, com 85 anos, quer o melhor para a Instituição que representa. Nós, porém, vamos com tudo contra ele porque, “com que direito ele renuncia?” Claro, porque no mundo NINGUÉM renuncia a nada. Como se ninguém tivesse preguiça de ir à escola. Como se ninguém tivesse preguiça de trabalhar. Como se vivesse num mundo em que todos os senhores de 85 anos estivessem ativos e trabalhando (e ainda por cima sem ganhar dinheiro) e ajudando a multidões. Pois é.

Pois agora eu sei, senhor Ratzinger, que vivo em um mundo que irá achá-lo muito estranho. Num mundo que não leu seus livros, nem suas encíclicas, porém que daqui a 50 anos ainda irá recordar como, com um gesto simples de humildade, um homem foi Papa e, quando viu que havia algo melhor no horizonte, decidiu afastar-se por amor à Igreja. Morra então tranquilo, senhor Ratzinger. Sem homenagens pomposas, sem corpo exibido em São Pedro, sem milhares chorando e esperando que a luz de seu quarto seja apagada. Morra então como viveu, embora fosse Papa: humilde.

Bento XVI, muito obrigado por suas renúncias.

Quero somente pedir minhas mais humildes desculpas se alguém se sentiu ofendido ou insultado com meu artigo. Considero a cada uma (mórmons, homossexuais, ateus e abortistas) como um irmão meu, nem mais nem menos. Sorriam, que vale a pena ser feliz.

(Agradeço a tradução ao padre Paulo Ricardo de Azevedo Junior) http://padrepauloricardo.org/

O Joey chamou o coleguinha de narigudo

E eu pergunto como é uma informação dessas me chega no Brasil

Alguém já testemunhou esse joey barton fazer alguma coisa além de ser um idiota? Procure Joey Barton no youtube: só tem cenas dele agindo como um covarde, batendo por trás ou falando dos outros pelas costas. Ontem ele chamou um outro de “narigudo” numa coletiva de imprensa. Ui. Eu me pergunto: como essa merda de notícia veio da França parar aqui no EI? Achei que ele tinha falado isso em campo, na frente do outro cara, mas quê! A mariquinha faz fofoquinha e vem outro e dá trela internacional. E eu tô falando de um jornal de futebol, não tô falando da Contigo.

Essas coisas denunciam uma falta de virilidade que não tá mais no gibi. Tá todo mundo virando viado – essa é a única explicação plausível. Ibrahim Sued deve estar se contorcendo no túmulo. Fulaninho falou que fulaninho é narigudo, óoo: notícia de mulherzinha ler na Capricho, caralho! Padrão Globo de jornalismo? Antes fosse. Agora é Padrão Glorinha Kalil de… sei lá, de simpatia. De jornalismo não é.

Esses dias o pessoal do Obama desautorizou um senador que se engasgou em plenário. Ah… eu vi a Gloria Kalil em todo canto. Foi engraçado, sim. Mas é que agora ninguém pode mais dar um peido, entendeu? Jogador de futebol não pode mais beijar mulher. O maior bronco da paróquia tem que virar miss. Daí o sujeito se engasga com um copo d’água e tá liquidado, a carreira política acabou – meu Deus do céu, como é que pode uma gafe dessas? -… tem gente teorizando que esse copo d’água vai derrubar o cara na próxima candidatura. Veja o nível de debate que esses viadões fazem na grande imprensa. Dá pra confiar em qualquer coisa que saia de uma porra dessas?

O Balotelli é outro lixo, fala merda, mas pelo menos se garante na hora de jogar bola. Contudo, isso não responde nada, eu quero saber qual é a onda… Tá na moda ser otário? Um Chael Sonnen não basta?

DJANGO: mais do mesmo

Devo concordar, apesar da hipérbole, que cinema é mesmo “a maior diversão”. É preciso o filme ser muito ruim pro cara levantar e pedir o dinheiro de volta.

– Às vezes é o sujeito quem tá podre, não o filme.

Em Django, quase nenhuma vez passou pela minha cabeça sair da sala. Em resumo: vale o vintão da entrada, dá pra se divertir. Só não passa muito disso.

Quem salvou a sessão mesmo foram os sobressaltos dramáticos daquele elenco poderoso. É claro que o diretor e a equipe têm uma parcela de responsabilidade nisso, mas o que pretendo dizer é que eu entrei no cinema prevendo uma boa introdução à arte de conduzir um fim de semana meia bomba – e nada além disso. E, conforme o prognóstico, nada mais aconteceu mesmo. Na saída, o falatório só não era maior que a fila pra sessão seguinte.

– E aí, o que tu achaste? Tu sempre opina sobre tudo.

Não, ultimamente não tenho mais me dado ao trabalho de defender minhas opiniões na rua, ando por aí unicamente com o intuito de me salvar do tédio – e o filme já tinha dado conta disso numa margem de 50%.

Pra esse comportamento apático concorre o fato d’eu ter assistido da primeira fileira, ter saído com sintomas de torcicolo, e ainda ter visto Pulp Fiction poucos dias antes.

Apesar de considerar Kill Bill uma das coisas mais divertidas que já vi no cinema, aposto o que vocês quiserem como nunca mais – nunca mais – Quentin Tarantino vai conseguir repetir a verve diabólica dos textos de Pulp Fiction.

Há mais ou menos 15 anos, quando vi aquilo pela primeira vez, não entendi bulhufas. Ainda era incapaz de compreender a sutileza de um deboche tão violento sobre a vida como ela é. Aliás, naquele tempo de pureza & inocência pré-onanismo, eu não era capaz de entender as razões de um sujeito que numa hora discorre sobre hambúrguer, no minuto seguinte cita uma passagem da Bíblia e, na conclusão do ato, abre uma cratera no estômago de alguém com um tiro.

Eu gostava era do Rambo que, num intervalo pro outro do Domingo Maior, fazia uma contagem de vítimas dez vezes maior que a que o Chris Kyle fez na vida inteira. Mas o Rambo não era gente, por assim dizer, ele era uma entidade sórdida que transcendia a figura do mercenário e se transmutava em justificativa & contabilidade de um exército inteiro, quiçá de uma pátria inteira.

E aquela loucurinha de apartamento que eu não consegui decifrar em Pulp – aquele terror insólito, sufocante, indefeso – era o mesmo que se tornaria meu karma dali pra frente – o mesmo que me encapuzaria, foderia minha namorada na minha frente, levaria meu celular de conta e me obrigaria a escrever Sheila Use & Abuse, 15 anos depois. Pulp Fiction era o meu medo de sair na rua e dar de cara com a absurdidade sem causa de uma vidinha pós-moderna, cujo sarro Quentin Tarantino soube tirar como ninguém.

Agora eu posso entendê-lo – ele se viciou na parada! No sarro! Mas à medida em que ele se viciava (e ganhava muita grana com isso), a coisa foi se solidificando num esquema textual que muitos chamam de estilo. Vá lá que seja, mas nenhum recurso estilístico superou a Opus Magnum. E hoje em dia, talvez na falta de uma perspectiva mais inédita, ele usou do estilo que lhe é peculiar para trabalhar em cima de contextos históricos-étnicos bem delineados.

E ainda anda dizendo por aí que suas últimas investidas fazem parte de uma trilogia. Primeiro foi aquele do Hitler: chatíssimo, tosco. Agora veio o Django, melhor. Pronto!, eis a tal da opinião – que apesar de não contar pra mais de meia dúzia de gatos pingtados, serve pra dizer que, além de meia bomba, essa trilogia do Tarantino tá muito é boa praça. Ele já deu um afago nos judeus, foi de cafuné nos negros, amanhã aparece o Harvey Milk usando um pirocóptero como artefato militar – e, pra fechar a obra, vamos ter que aturar o herói sendo chupado por um general mulçumano vestido de Rogéria.

Nota sobre o maniqueísmo tresloucado com as pessoas brancas do filme: Todo branco que aparece ali sofre de demência mental congênita, ninguém escapou do açougue. Naquela época a revolta era mais que justificada, obviamente, mas não precisava ter coroado o patético com aquela morte chinfrim da irmã do Di Caprio. Acho que ele quis “homenagear” a verossimilhança de Mad Dog McCree ou passar mais um pito no infame Lazarus Morell. Em tempo: fiquei sabendo da existência de uma entrevista em que o próprio Jamie Foxx faz reverências a Obama como “Deus e Salvador nosso”; e que a diva do oportunismo, Madonna, deu “graças a Deus” pela América ter Obama como presidente. O alerta segue ligado.

Carla Camurati no vídeo show – e o famoso beck (+18)

Tava vendo vídeo chô na hora do almoço. Tenho que admitir que rolou uma entrevista redondinha no teatro muncipal. Relembraram os pontos altos da cineasta Carla Camurati como apresentadora e a grande carreira que ela fez em teatro & cinema, onde chegou a receber a missão de interpretar a musa Pagu. Só esqueceram de lembrar que na cinematografia da Carlinha também consta a cena antológica em que ela dá uma pipada num baseado feito com pentelhos. É, garotão… Tem coisas (BUM…) que só a pornochanchada fez por você:

http://www.radiolegalize.com/blog/tipo-quando-o-fumo-acaba/

Pep Guardiola confirma minha teoria de CM

Vou mandar meu currículo do CM 2010 pro Remo se aparecer um sheik em Belém

Esses rumores que o Pep Guardiola, além de já estar numa espécie de pré-contrato com o Bayern, já anda até apitando nas futuras contratações é algo do Bizarro Novo Mundo que eu ainda não havia visto.

Imagine você, trabalhando numa empresa, tendo que assistir seu sucessor às voltas pelos bastidores, cagando & andando pra sua futura condição de desempregado e fazendo exigências de contratos ao teor do cafezinho. Bem, pelo menos tá todo mundo sendo muito sincero… O ruim é que seus comandados já estão se coçando pra procurar emprego em outro lugar – cientes de que a presença de Pep vai atrair colegas de trabalho de altíssimo gabarito pra disputar posição. É o caso de Nils Petersen, que apesar de ser um cara capacitado, já tem falado em tom de despedida. Não sei classificar a atitude dele como insegurança ou um senso apuradíssimo de oportunidade. O fato é que ninguém discorda do Petersen quando repara que ele vai ter que disputar uma só vaga (no esquema do Bayern só cabe um ponta-de-lança) com: Mario Gomez, o ‘super mario’; Claudio Pizarro, o experiente; Mandzukic, a revelação; Lewandowski, trazido à força (20 milhões de euros) do Borussia; e um top 5, Falcão Garcia, cuja compra ainda tá na fase da especulação.

Mas, picuinhas de bastidores à parte, as contratações que vêm sendo relacionadas com a chegada de Guardiola me chamaram a atenção pro seguinte: tenho que mandar meu currículo do CM pro Remo. Apesar das minhas teorias esdrúxulas de que baixinhos jogam mais e que em time de quinta 90% do treinamento é correria e chute (porque eles não tem habilidade mesmo), Pep confirma minha tese de que, em primeiro lugar, o papo é chegar apavorando o setor ofensivo.

Não adianta muita coisa o cara ter um Messi na equipe e se contentar por ali mesmo. Comparando Corinthians e Santos, por exemplo: o Guerrero chegou ali e foi sacudindo os ânimos sem nem falar português direito. Os caras até hoje estão tensos, jogando sangue no campo. A cara do Émerson Sheik quando o assunto é Alexandre Pato é um filme de drama psicológico. Enquanto ele anda nervosinho errando pênalti, Guerrero fez dois e o Pato marcou o de estreia em quinze minutos. É muita disputa, até o herói do time vai ter que repensar suas condições e se esforçar duas vezes mais pra continuar sustentando a fama. Do outro lado, no Santos, é aquela mesma novela de sempre: Neymar pedalando pra lá, Neymar pedalando pra cá, e um elenco que se desfaz a cada seis meses. Numa posição onde o ganha pão do sujeito é fazer gol de bunda, mas não deixar de fazer, é fundamental criar competitividade senão o cara fica lá, relaxadão. Como dizia o sábio Dadá Maravilha: “não existe gol feio, feio é não fazer”. A Tuna Luso é o time que menos leva a sério esse verdadeiro aforismo da filosofia moderna.

Resumindo: se pego uma finança quebrada no CM, imito o Guardiola e descarrego tudo nos homens de frente. Com o tempo vou arrumando a cozinha, trocando zagueiros, arriscando um meia técnico, preparadores de alto nível, etc.

Pode ser um tiro no pé. Seres humanos são difíceis mesmo e tendem a se acomodar com a maturidade de uma situação, isso é um fato essencial especialmente para os nascidos abaixo da linha do Equador. Por isso mesmo é preciso movimentar as peças pra criar um clima tenso no ar, de propósito. Evidente, o cara tem que conter os estrelismos (e domínio da língua local) pra não pagar de Felipão em Londres. Mas duvido muito se um Pizarro, vendo o Falcão Garcia no auge, não vai se forçar a dar os últimos lampejos de genialidade antes de por as barbas de molho. Uma hora todo mundo tem que ir embora mesmo – mas um cara de alto nível, acostumado a ganhar muita grana pra fazer o que faz, não vai querer manchar sua reputação se despedindo melancolicamente.

Perseguição de cristãos e ideias distorcidas de Estado

Quando o Malafaia ficou de frente com as fuças da Gaby deu pra ver, nitidamente, a construção das antagonias que mais dão audiência abaixo da linha do Equador: evangélicos x sociedade “aberta”.

Rola por aí um conceito acadêmico de Sociedade Aberta, de Karl Popper, em que se enumeram características da sociedade ocidental moderna como tolerância religiosa, garantia das liberdades individuais, liberdade de expressão, etc, e que, fora disso, estão os inimigos, aqueles que creem num estado transcendido por uma ideia de absoluto, por um deus.

Esse conceito leva muito desavisado a trocar alhos com bugalhos e sair dizendo que estado laico equivale a estado ateu. E, – com a licença do palavrão: puta que o pariu! – tem idiota lendo Popper e achando que religião não tem nada ver com ética – isso é o que eu chamarei de agora em diante de Burro Absoluto. É a burrice transcendendo os limites de qualquer sistema estatal que você imagine aí. Como religião não tem a ver com ética se toda e qualquer religião atua exatamente no campo da moralidade? Ah…  E eu vi isso sair da boca de uma estudante de Ciência Política da USP, a tal da melhor universidade do Brasil. Essas horas ter um diploma universitário emoldurado na parede e limpar a bunda com ele equivale à mesma coisa: nada. A elite intelectual brasileira não tá servindo mais nem pra fazer pose. Ruy Barbosa manda lembranças.

No xepa da folia, teve até geneticista dando seus pitacos. Um frescão mestre em genética publicou um vídeo dizendo que o Malafaia não tinha razão nenhuma de dizer o que diz porque tem uma pesquisa que mostra que quando um gêmeo univitelino é gay, em geral, o outro também é. Não queria nem entrar nesse assunto, mas o bom senso manda dizer que pesquisa quantitativa não é prova perfeita de porra nenhuma – tá todo mundo cansado de ver exemplos de pesquisa furadíssimas e facilmente manipuláveis. Dizer que isso é prova cabal da existência de genes gays é de uma pretensão monstruosa, é o mesmo que dizer que a pesquisa do Ibope é  irrefutável. Não vou nem tentar usar de argumentos aqui, o próprio doutor se encalacra quando diz que existe também um “fator cultural” que influencia nos comportamentos sexuais. – É claro que existe, idiota!, não precisa ser geneticista pra saber uma coisa dessas. Assim como não precisa ser geneticista pra saber que dois gêmeos univitelinos são criados num caldo cultural radicalmente similar e, por isso mesmo, apresentam grandes chances de se comportarem semelhantemente. Raios!

Jesus, me dê forças… enquanto desperdiçamos nosso tempo a contemplar a quantidade de merda que sai da USP, enquanto nos asfixiamos uns aos outros no programa da Gaby, no resto do mundo está cada vez mais difícil o sujeito se declarar cristão (de qualquer doutrina) sem sofrer algum tipo de retaliação – ou mesmo a morte.

Na mesma semana em que a Gaby pedia pro seu Deus perdoar o Malafaia, uma mulher chamada Nadia e seus sete filhos pegaram 15 anos de cadeia pelo simples motivo de terem saído do islã pra se converterem ao cristianismo. Onde? No Egito, aquela pseudo-democracia que o Barack Obama e milhões de tuiteiros ajudaram a estabelecer.

-“Ah, mas o Obama pelo menos já tirou o ditador.” – sim, e pôs quem no lugar? Uma fraternidade islâmica totalitária com pretensões globais. A fraternidade já tem o comando do governo de vários outros países no O. M. e declara abertamente que não admite nenhuma conduta prática em desacordo com as sharias que eles baixam com força de lei.

No vídeo de lançamento do seu livro Jardim das Aflições, Olavo de Carvalho, que hoje em dia vive nos EUA, diz que lá de dentro é possível observar a nítida cooptação da grande mídia de massa americana em torno das mesmas mensagens. Nos EUA um jornal não publica mais uma vírgula diferente do outro. Tá todo mundo apoiando o Barack Obama em todas suas diligências e de acordo com seu plano de mídia. Você viu alguém contestando alguma coisa da Primavera Árabe? É CNN, NY Times, MSN-NBC – todos marcialmente combinando em tudo o que é opinião, incluindo no cardápio assuntos fora da pauta política.

A única emissora que, timidamente, sai desse eixo é a Fox News – curiosamente, o mesmo lugar onde eu encontrei notícias sobre abuso de cristãos ao redor do mundo, onde eu encontrei o caso Nadia. [que na verdade era cristã de nascença e fora convertida ao islã depois de ter casado. Nadia quis voltar à sua religião de origem quando enviuvou e teve que pagar pela graça com cadeia pra família toda – e essa é a liberdade democrática e tuiteira da Fraternidade Islâmica]

Mas tem drama mais grave nessa situação. O drama é ter ciência de que a mídia de massa é que efetivamente transmite a imagem opinativa dos EUA pro mundo. Lá dentro, muita gente pode não estar tratando o burro a pão de ló, mas o que assimilamos daqui é o que essa porra toda quer que a gente acredite. Não consegui entender o nome do cidadão, mas o professor também citou o caso de um radialista de oposição que, num único programa, capta 30 milhões de ouvintes – enquanto que o NY Times vende 300 mil exemplares em dias úteis/ 1 milhão aos domingos. Enquanto isso, aqui fora, a gente compra a ideia de que o americano virou revolucionário em Wall Street, que tá todo mundo dando apoio à Fraternidade Islâmica. Bombas como a não-apresentação de documentos originais de certidão de nascimento do Obama e o custeio de sua educação por um príncipe saudita, quando explodem em nós, já aparecem com a pecha de boato e “teoria da conspiração”. Ih – se você, daqui da baia tupiniquim, resolver dizer uma dessas coisas, é porque você seguramente é um fascista neurótico que fica se metendo em assuntos que não lhe dizem respeito. Bem, podem dizer ou silenciarem como bem quiserem, isso não demove minha convicção de que o tempo dessa gente bronzeada mostrar seu valor já era; a missão, agora, é tentar se recuperar da hipnose intelectual a tempo de deixar de acreditar em discursos que não respondem perguntas, em primeiro lugar.

– “Como pode ser ‘teoria da conspiração’ um fato?” – indagava o professor. E é exatamente esta a questão: por que se dá como resposta à pergunta “cadê seus documentos?” isto aqui: “você é um teórico da conspiração”. Lembro que, quando criança, tive um professor (meu primo, Wander de Andrade) que me acusava de inventar respostas absurdas quando eu tava a fim de enrolar o meu interlocutor. Era como se o comando perguntasse se vai chover e eu respondesse que sim, porque eu tenho uma bicicleta azul – e começasse a discorrer apaixonadamente sobre a bicicleta, fazendo isso só pra não passar em branco. Meu professor, naquele tempo, tava me ensinando que me esquivar de uma pergunta chata distorcendo-a e apelando pra outro assunto era uma estratégia errada que não daria certo de jeito nenhum, até porque ninguém é burro. Não parece. Aqui no Brasil, se acusam alguém de roubar dinheiro público, a estratégia é mais infantil ainda: os caras se fazem de coitadinhos e começam a contar uma história da carochinha que começa em Cuba nos 60. Ninguém responde nada objetivamente e fica por isso mesmo, com direito a pensão por danos morais – a ser paga pelos autores da pergunta.

Quando exigem seus documentos numa alfândega você diz ao guarda que ele está sendo um conspirador neurótico? Não. E por que o porra de um candidato a presidente dos EUA, pra se eleger, não precisou responder essa simples questão?

Quanto à noção confusa que os intelectuais fazem com democracia e Estado Laico, lembro que os tais Pais Fundadores da democracia americana – modelo da nossa – eram mais cristãos que eu, os intelectuais, o Silas Malafaia e a Marília Gabriela juntos.

Inútil do início ao fim

O cara vem falar que o cérebro do brasileiro é do tamanho de um amendoim e tá “decpicionado” com a gente… esta veio de um dos grão-mestres da sabedoria que pintam no youtube achando que empurrar merda é sinal de autoridade intelectual.

É claro que ‘Do começo ao fim’ é um filme feito com o intuito de chocar. Afinal, o pessoal do movimento gay tá estudando há meio século pra fazer exatamente isso: soltar a franga e fazê-la chocar. Mandar Jesus malhar o peitoral pra participar de uma orgia em plena Avenida Paulista ainda espanta? Nem a CNBB se pronuncia mais. Só o Malafaia que foi dar seus pulinhos histéricos de indignação e agora tá respondendo na justiça.

Ah, o movimento, o movimento… é tanto movimento que daqui uns dias prometo também entrar na dança pra abrir a minha ONG do sexo. Vou me candidatar a vereador e prometo lutar em prol dos direitos dos masturbadores crônicos, com o lema que eu já decretei no feicebuqui: “pelo direito de bater punheta em praça pública”. Vamos programar pequenos escândalos e dizer que tem nego no clero espancando o palhaço. Quero um totem de azulejo. E ainda digo mais: nós, masturbadores crônicos, não admitimos que nos chamem de “punheteiros”. Que deselegante. Isso é uma difamação vil. Isso é uma discriminação. Isso é crime! De agora em diante toleramos, no máximo, que nos tratem por punhetistas – afinal, punheta também é uma especialidade. Como diria H’DUBS, prócere intelectual do movimento punhetista: “uma bronha bem batida pode salvar até um casamento”.

Mas deixando a brincadeira de lado e entrando de vez na sacanagem: não há duvida de que a temática do filme é monstruosa, no bom sentido; e que o choque efetivo foi um gigantesco desperdício.

Poderia dar um Nelson Rodrigues. Poderia ser um firme apelo aos erros que cometemos em nome da sexualidade. Mas não. Vem o pensamento militante-gay do Abranches e resolve fazer desse imenso drama humano um pastelão do politicamente correto. Só que ele exagerou no mel. A candura e inércia da mãe do casal gay (isso mesmo, a mãe dos dois membros do casal é a mesma mulher) só demonstra o quanto os “movimentistas” estão sem parâmetro nenhum, nem pra julgar a si próprios, quanto mais um tema cabeludo como incesto. Agora dá pra entender quando o Mainardi se declara ateu, mas acredita na Igreja. Você pode ser ateu, meu caro, só não dá pra desacreditar do dia pra noite da formação ética que integrou nossa sociedade até onde estamos. Fazer isso “por opção”, sem pelo menos uma estrutura filosófica (muito) rígida, é por a sanidade em colapsos nervosos a cada virada de esquina. Não à toa a mãe dos irmãos que se comem no filme, uma libertária ideológica, fica de quatro sem saber como proceder diante das liberdades que ela sonhou a vida inteira ali, evoluídas, lúbricas, botando uma no cu da outra enquanto ela faz a janta. Depois o roteiro trata de matá-la antes que se pense em alguma iniciativa.

Mas naquele atitude passiva a saída foi a morte mesmo. Sublevar toda a discriminação na base do abafa é forçar um retrocesso moral rumo ao caos. À propósito, tem um ditado a respeito da conduta ética pessoal: “em Roma, vestimo-nos como os romanos. Ou nos mudamos para a Grécia”. Quer dizer, a liberdade é mesmo uma paixão irresistível. Mas temos que admitir que não temos direito exclusivo a ela por sermos simplesmente humanos – com o agravante de termos que conviver com outros humanos que circulam por aí.

Aliás, já passou da hora dos movimentistas pararem de fazer da autopiedade uma lei e encarar uma triste, porém saudável realidade: não existe liberdade além dos limites dos nossos grilhões. Existe um eu, um tu e mil e dois outros. Amarras, meu velho, até o presidente dos EUA tem. Bukowski se dava ao trabalho de inventar um nó de cadarço novo a cada dia útil pra tentar lidar com as suas. E você, pai de dois garotos educados à kit gay, acha que vai se livrar dessa missão bancando o libertário? É muita pretensão achar que sabe lidar seguramente com isso – e que o resultado prático da negligência será um sorrisinho inverossímil ao ver seus filhos se chupando no deck.

P.S.: “Do começo ao fim” é um tiro no pé do próprio movimento gay… na medida em que você lembra que o conselho de psicologia proibiu a prática do que eles chamam de ‘cura gay’, um casal de irmãos do mesmo sexo – que tendem a se comer na alcova – perdem o direito de procurar tratamento psicológico, se quiserem, sem o risco enorme de enfrentar um escândalo irreversível na própria família.