Inútil do início ao fim

O cara vem falar que o cérebro do brasileiro é do tamanho de um amendoim e tá “decpicionado” com a gente… esta veio de um dos grão-mestres da sabedoria que pintam no youtube achando que empurrar merda é sinal de autoridade intelectual.

É claro que ‘Do começo ao fim’ é um filme feito com o intuito de chocar. Afinal, o pessoal do movimento gay tá estudando há meio século pra fazer exatamente isso: soltar a franga e fazê-la chocar. Mandar Jesus malhar o peitoral pra participar de uma orgia em plena Avenida Paulista ainda espanta? Nem a CNBB se pronuncia mais. Só o Malafaia que foi dar seus pulinhos histéricos de indignação e agora tá respondendo na justiça.

Ah, o movimento, o movimento… é tanto movimento que daqui uns dias prometo também entrar na dança pra abrir a minha ONG do sexo. Vou me candidatar a vereador e prometo lutar em prol dos direitos dos masturbadores crônicos, com o lema que eu já decretei no feicebuqui: “pelo direito de bater punheta em praça pública”. Vamos programar pequenos escândalos e dizer que tem nego no clero espancando o palhaço. Quero um totem de azulejo. E ainda digo mais: nós, masturbadores crônicos, não admitimos que nos chamem de “punheteiros”. Que deselegante. Isso é uma difamação vil. Isso é uma discriminação. Isso é crime! De agora em diante toleramos, no máximo, que nos tratem por punhetistas – afinal, punheta também é uma especialidade. Como diria H’DUBS, prócere intelectual do movimento punhetista: “uma bronha bem batida pode salvar até um casamento”.

Mas deixando a brincadeira de lado e entrando de vez na sacanagem: não há duvida de que a temática do filme é monstruosa, no bom sentido; e que o choque efetivo foi um gigantesco desperdício.

Poderia dar um Nelson Rodrigues. Poderia ser um firme apelo aos erros que cometemos em nome da sexualidade. Mas não. Vem o pensamento militante-gay do Abranches e resolve fazer desse imenso drama humano um pastelão do politicamente correto. Só que ele exagerou no mel. A candura e inércia da mãe do casal gay (isso mesmo, a mãe dos dois membros do casal é a mesma mulher) só demonstra o quanto os “movimentistas” estão sem parâmetro nenhum, nem pra julgar a si próprios, quanto mais um tema cabeludo como incesto. Agora dá pra entender quando o Mainardi se declara ateu, mas acredita na Igreja. Você pode ser ateu, meu caro, só não dá pra desacreditar do dia pra noite da formação ética que integrou nossa sociedade até onde estamos. Fazer isso “por opção”, sem pelo menos uma estrutura filosófica (muito) rígida, é por a sanidade em colapsos nervosos a cada virada de esquina. Não à toa a mãe dos irmãos que se comem no filme, uma libertária ideológica, fica de quatro sem saber como proceder diante das liberdades que ela sonhou a vida inteira ali, evoluídas, lúbricas, botando uma no cu da outra enquanto ela faz a janta. Depois o roteiro trata de matá-la antes que se pense em alguma iniciativa.

Mas naquele atitude passiva a saída foi a morte mesmo. Sublevar toda a discriminação na base do abafa é forçar um retrocesso moral rumo ao caos. À propósito, tem um ditado a respeito da conduta ética pessoal: “em Roma, vestimo-nos como os romanos. Ou nos mudamos para a Grécia”. Quer dizer, a liberdade é mesmo uma paixão irresistível. Mas temos que admitir que não temos direito exclusivo a ela por sermos simplesmente humanos – com o agravante de termos que conviver com outros humanos que circulam por aí.

Aliás, já passou da hora dos movimentistas pararem de fazer da autopiedade uma lei e encarar uma triste, porém saudável realidade: não existe liberdade além dos limites dos nossos grilhões. Existe um eu, um tu e mil e dois outros. Amarras, meu velho, até o presidente dos EUA tem. Bukowski se dava ao trabalho de inventar um nó de cadarço novo a cada dia útil pra tentar lidar com as suas. E você, pai de dois garotos educados à kit gay, acha que vai se livrar dessa missão bancando o libertário? É muita pretensão achar que sabe lidar seguramente com isso – e que o resultado prático da negligência será um sorrisinho inverossímil ao ver seus filhos se chupando no deck.

P.S.: “Do começo ao fim” é um tiro no pé do próprio movimento gay… na medida em que você lembra que o conselho de psicologia proibiu a prática do que eles chamam de ‘cura gay’, um casal de irmãos do mesmo sexo – que tendem a se comer na alcova – perdem o direito de procurar tratamento psicológico, se quiserem, sem o risco enorme de enfrentar um escândalo irreversível na própria família.

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