Perseguição de cristãos e ideias distorcidas de Estado

Quando o Malafaia ficou de frente com as fuças da Gaby deu pra ver, nitidamente, a construção das antagonias que mais dão audiência abaixo da linha do Equador: evangélicos x sociedade “aberta”.

Rola por aí um conceito acadêmico de Sociedade Aberta, de Karl Popper, em que se enumeram características da sociedade ocidental moderna como tolerância religiosa, garantia das liberdades individuais, liberdade de expressão, etc, e que, fora disso, estão os inimigos, aqueles que creem num estado transcendido por uma ideia de absoluto, por um deus.

Esse conceito leva muito desavisado a trocar alhos com bugalhos e sair dizendo que estado laico equivale a estado ateu. E, – com a licença do palavrão: puta que o pariu! – tem idiota lendo Popper e achando que religião não tem nada ver com ética – isso é o que eu chamarei de agora em diante de Burro Absoluto. É a burrice transcendendo os limites de qualquer sistema estatal que você imagine aí. Como religião não tem a ver com ética se toda e qualquer religião atua exatamente no campo da moralidade? Ah…  E eu vi isso sair da boca de uma estudante de Ciência Política da USP, a tal da melhor universidade do Brasil. Essas horas ter um diploma universitário emoldurado na parede e limpar a bunda com ele equivale à mesma coisa: nada. A elite intelectual brasileira não tá servindo mais nem pra fazer pose. Ruy Barbosa manda lembranças.

No xepa da folia, teve até geneticista dando seus pitacos. Um frescão mestre em genética publicou um vídeo dizendo que o Malafaia não tinha razão nenhuma de dizer o que diz porque tem uma pesquisa que mostra que quando um gêmeo univitelino é gay, em geral, o outro também é. Não queria nem entrar nesse assunto, mas o bom senso manda dizer que pesquisa quantitativa não é prova perfeita de porra nenhuma – tá todo mundo cansado de ver exemplos de pesquisa furadíssimas e facilmente manipuláveis. Dizer que isso é prova cabal da existência de genes gays é de uma pretensão monstruosa, é o mesmo que dizer que a pesquisa do Ibope é  irrefutável. Não vou nem tentar usar de argumentos aqui, o próprio doutor se encalacra quando diz que existe também um “fator cultural” que influencia nos comportamentos sexuais. – É claro que existe, idiota!, não precisa ser geneticista pra saber uma coisa dessas. Assim como não precisa ser geneticista pra saber que dois gêmeos univitelinos são criados num caldo cultural radicalmente similar e, por isso mesmo, apresentam grandes chances de se comportarem semelhantemente. Raios!

Jesus, me dê forças… enquanto desperdiçamos nosso tempo a contemplar a quantidade de merda que sai da USP, enquanto nos asfixiamos uns aos outros no programa da Gaby, no resto do mundo está cada vez mais difícil o sujeito se declarar cristão (de qualquer doutrina) sem sofrer algum tipo de retaliação – ou mesmo a morte.

Na mesma semana em que a Gaby pedia pro seu Deus perdoar o Malafaia, uma mulher chamada Nadia e seus sete filhos pegaram 15 anos de cadeia pelo simples motivo de terem saído do islã pra se converterem ao cristianismo. Onde? No Egito, aquela pseudo-democracia que o Barack Obama e milhões de tuiteiros ajudaram a estabelecer.

-“Ah, mas o Obama pelo menos já tirou o ditador.” – sim, e pôs quem no lugar? Uma fraternidade islâmica totalitária com pretensões globais. A fraternidade já tem o comando do governo de vários outros países no O. M. e declara abertamente que não admite nenhuma conduta prática em desacordo com as sharias que eles baixam com força de lei.

No vídeo de lançamento do seu livro Jardim das Aflições, Olavo de Carvalho, que hoje em dia vive nos EUA, diz que lá de dentro é possível observar a nítida cooptação da grande mídia de massa americana em torno das mesmas mensagens. Nos EUA um jornal não publica mais uma vírgula diferente do outro. Tá todo mundo apoiando o Barack Obama em todas suas diligências e de acordo com seu plano de mídia. Você viu alguém contestando alguma coisa da Primavera Árabe? É CNN, NY Times, MSN-NBC – todos marcialmente combinando em tudo o que é opinião, incluindo no cardápio assuntos fora da pauta política.

A única emissora que, timidamente, sai desse eixo é a Fox News – curiosamente, o mesmo lugar onde eu encontrei notícias sobre abuso de cristãos ao redor do mundo, onde eu encontrei o caso Nadia. [que na verdade era cristã de nascença e fora convertida ao islã depois de ter casado. Nadia quis voltar à sua religião de origem quando enviuvou e teve que pagar pela graça com cadeia pra família toda – e essa é a liberdade democrática e tuiteira da Fraternidade Islâmica]

Mas tem drama mais grave nessa situação. O drama é ter ciência de que a mídia de massa é que efetivamente transmite a imagem opinativa dos EUA pro mundo. Lá dentro, muita gente pode não estar tratando o burro a pão de ló, mas o que assimilamos daqui é o que essa porra toda quer que a gente acredite. Não consegui entender o nome do cidadão, mas o professor também citou o caso de um radialista de oposição que, num único programa, capta 30 milhões de ouvintes – enquanto que o NY Times vende 300 mil exemplares em dias úteis/ 1 milhão aos domingos. Enquanto isso, aqui fora, a gente compra a ideia de que o americano virou revolucionário em Wall Street, que tá todo mundo dando apoio à Fraternidade Islâmica. Bombas como a não-apresentação de documentos originais de certidão de nascimento do Obama e o custeio de sua educação por um príncipe saudita, quando explodem em nós, já aparecem com a pecha de boato e “teoria da conspiração”. Ih – se você, daqui da baia tupiniquim, resolver dizer uma dessas coisas, é porque você seguramente é um fascista neurótico que fica se metendo em assuntos que não lhe dizem respeito. Bem, podem dizer ou silenciarem como bem quiserem, isso não demove minha convicção de que o tempo dessa gente bronzeada mostrar seu valor já era; a missão, agora, é tentar se recuperar da hipnose intelectual a tempo de deixar de acreditar em discursos que não respondem perguntas, em primeiro lugar.

– “Como pode ser ‘teoria da conspiração’ um fato?” – indagava o professor. E é exatamente esta a questão: por que se dá como resposta à pergunta “cadê seus documentos?” isto aqui: “você é um teórico da conspiração”. Lembro que, quando criança, tive um professor (meu primo, Wander de Andrade) que me acusava de inventar respostas absurdas quando eu tava a fim de enrolar o meu interlocutor. Era como se o comando perguntasse se vai chover e eu respondesse que sim, porque eu tenho uma bicicleta azul – e começasse a discorrer apaixonadamente sobre a bicicleta, fazendo isso só pra não passar em branco. Meu professor, naquele tempo, tava me ensinando que me esquivar de uma pergunta chata distorcendo-a e apelando pra outro assunto era uma estratégia errada que não daria certo de jeito nenhum, até porque ninguém é burro. Não parece. Aqui no Brasil, se acusam alguém de roubar dinheiro público, a estratégia é mais infantil ainda: os caras se fazem de coitadinhos e começam a contar uma história da carochinha que começa em Cuba nos 60. Ninguém responde nada objetivamente e fica por isso mesmo, com direito a pensão por danos morais – a ser paga pelos autores da pergunta.

Quando exigem seus documentos numa alfândega você diz ao guarda que ele está sendo um conspirador neurótico? Não. E por que o porra de um candidato a presidente dos EUA, pra se eleger, não precisou responder essa simples questão?

Quanto à noção confusa que os intelectuais fazem com democracia e Estado Laico, lembro que os tais Pais Fundadores da democracia americana – modelo da nossa – eram mais cristãos que eu, os intelectuais, o Silas Malafaia e a Marília Gabriela juntos.

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