Sobre cretinice…

Sobre cretinices, carolices e demais paumolecências que assolam a humanidade: “É preciso saber jogar por todo campo: do cabaré ao convento — ou melhor, do convento ao cabaré”

Facundo Cabral

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Etimologia do caralho (workshop)

CARALHO – é o nome da cestinha que fica no alto do maior mastro de uma caravela, lembrando um objeto fálico. Logo, os marujos portugueses mais piadistas começaram a dizer “o meu é tão grande quanto um caralho”, e temos um palavrão.

PIROCA – em português arcaico significa “careca”. Daí quando o cabeleireiro comete um erro grosseiro, fala-se até hoje em “pirocado”. O paralelo do careca com o pênis não tardou.

– este singelo texto circula nas internerds desde o tempo do orkut, quando o Politicamente Cuzão não enchia tanto o saco e o samba abaixo apavorava as meninas de família sem o menor pudor… Alô, meu povo caralhense!!!

Hitler também preferia os cachorrinhos

Você aí, preocupadíssimo com os gorilas da Sumatra e com as borboletas do Afeganistão, saiba como e quando começaram a usar a sua compaixão como retórica política:

Anúncio da iniciativa alemã de proteção aos animais, proibindo seu uso como cobaias de laboratório.

Quem criou essas leis de defesa dos animais?

Isso mesmo, Hitler.

hitler_ecologista

(fonte: Sérgio Martorelli)

Não preciso nem lembrar o que aconteceu com os humanos no meio dessa história. Por outro lado, não vou alimentar a idéia de que acalentar um gatinho implica em ser genocida. Eu me comovo com Nietzsche e Raskólnikov beijando éguas, eu sou da tese de que um gato leva a outro, etc etc. Mas preme lembrar que Hitler era um fofo, do tipo que assinaria embaixo o “quanto mais conheço os homens, mais gosto do meu cachorro”; preme lembrar que as preferências pessoais dele – por mais tendenciosas que fossem – viraram implacáveis institutos criminais.

Isso tudo são memórias… porém vou desfocá-las um pouco para recorrer ao que está acontecendo agora, com a gente, no nosso idílico e tropicabundo Brasil:

Artigo 132 do projeto para o novo Código Penal.

Omissão de socorro
Art. 132. Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo, ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública:
Pena – prisão, de um a seis meses, ou multa.
Parágrafo único. A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal grave, em qualquer grau, e triplicada, se resulta a morte.

Leiam, então, o que vai no 393:

Art. 393. Abandonar, em qualquer espaço público ou privado, animal doméstico, domesticado, silvestre ou em rota migratória, do qual se detém a propriedade, posse ou guarda, ou que está sob cuidado, vigilância ou autoridade:
Pena – prisão, DE UM A QUATRO ANOS.

… e o que dispõe o Artigo 391:

Praticar ato de abuso ou maus-tratos a animais domésticos, domesticados ou silvestres, nativos ou exóticos:
Pena – prisão, de um a quatro anos.
§ 1o Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.
§ 2o A pena é aumentada de um sexto a um terço se ocorre lesão grave permanente ou mutilação do animal.
§ 3º A pena é aumentada de metade se ocorre morte do animal.

A imitação do amanhecer (por Bruno Tolentino)

III-165

Ó Via Láctea, ó luminosa irmã — segundo
Apollinaire — dos fios brancos da água vã,
a água furtiva que visita o chão do mundo
e vai-se evaporando também, ó minha irmã
mais ancestral, mais nebulosa, ó vaga lã
dos vãos novelos em que eu ando, um moribundo
no intemporal, sinal apenas de que o fundo
de tudo e de mim mesmo é a solidão pagã
da alma febril que se evapora e historiciza,
ó ampliação de Alexandria, ó via branca
e tenebrosa, é tudo a rosa que se arranca,
pétala a pétala, às profanações da cinza,
ó Via Láctea, ó minha irmã que pões a tranca
da imensidão no coração do que agoniza…

– o grifo é meu.