Hitler também preferia os cachorrinhos

Você aí, preocupadíssimo com os gorilas da Sumatra e com as borboletas do Afeganistão, saiba como e quando começaram a usar a sua compaixão como retórica política:

Anúncio da iniciativa alemã de proteção aos animais, proibindo seu uso como cobaias de laboratório.

Quem criou essas leis de defesa dos animais?

Isso mesmo, Hitler.

hitler_ecologista

(fonte: Sérgio Martorelli)

Não preciso nem lembrar o que aconteceu com os humanos no meio dessa história. Por outro lado, não vou alimentar a idéia de que acalentar um gatinho implica em ser genocida. Eu me comovo com Nietzsche e Raskólnikov beijando éguas, eu sou da tese de que um gato leva a outro, etc etc. Mas preme lembrar que Hitler era um fofo, do tipo que assinaria embaixo o “quanto mais conheço os homens, mais gosto do meu cachorro”; preme lembrar que as preferências pessoais dele – por mais tendenciosas que fossem – viraram implacáveis institutos criminais.

Isso tudo são memórias… porém vou desfocá-las um pouco para recorrer ao que está acontecendo agora, com a gente, no nosso idílico e tropicabundo Brasil:

Artigo 132 do projeto para o novo Código Penal.

Omissão de socorro
Art. 132. Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo, ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública:
Pena – prisão, de um a seis meses, ou multa.
Parágrafo único. A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal grave, em qualquer grau, e triplicada, se resulta a morte.

Leiam, então, o que vai no 393:

Art. 393. Abandonar, em qualquer espaço público ou privado, animal doméstico, domesticado, silvestre ou em rota migratória, do qual se detém a propriedade, posse ou guarda, ou que está sob cuidado, vigilância ou autoridade:
Pena – prisão, DE UM A QUATRO ANOS.

… e o que dispõe o Artigo 391:

Praticar ato de abuso ou maus-tratos a animais domésticos, domesticados ou silvestres, nativos ou exóticos:
Pena – prisão, de um a quatro anos.
§ 1o Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.
§ 2o A pena é aumentada de um sexto a um terço se ocorre lesão grave permanente ou mutilação do animal.
§ 3º A pena é aumentada de metade se ocorre morte do animal.

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